Emissora mais feliz do Brasil, como reza o seu slogan, o SBT é também a
mais “mexicana” de todas. Para o bem e para o mal, este espírito
alegre, mas anacrônico, está inscrito no DNA da TV inaugurada em 1981.
Não falo apenas das quase 90 novelas da Televisa,
do “Chaves” e do “Chapolin Colorado”, que desde o início abrilhantam a
sua programação. As grandes atrações da história do SBT, desde Silvio
Santos a Gugu Liberato, de Hebe Camargo e Ratinho à “Praça É Nossa”,
transmitem esta sensação – a de uma emissora realmente feliz, mas
deslocada no tempo.
A estreia – e o baita sucesso – da nova versão de “Carrossel”, agora
realizada pelo próprio SBT, apenas confirmam o acerto de insistir nesta
fórmula. Parece claro que há não apenas público, mas mercado
interessados num tipo de programação mais simples, sem o mesmo
acabamento oferecido pela concorrência e que produz o efeito de deslocar
o espectador no tempo.
“Carrossel” é uma novela infantil, protagonizada por crianças para
crianças, mas é irresistível para adultos por conta desta combinação
típica que o DNA mexicano do SBT sabe fazer.
Em primeiro lugar, o texto da novela. Não há espaço para ironia,
insinuação ou sutileza na fala dos personagens. Tudo é simples e direto,
de maneira a não deixar dúvidas na cabeça de ninguém.
“Acredita que tem um menino negro na minha sala!”, diz, por exemplo,
Maria Joaquina, a “patricinha” de “Carrossel” para o pai. Antes, Cirilo
havia reclamado: “Acho que ela não gosta de mim porque eu sou negro.
Acho que ela me trata mal também porque o pai dela é médico e o meu é
apenas carpinteiro”.
Em segundo lugar, creio que muito do sucesso de “Carrossel” está ligado
ao “talento” do elenco infantil. Eles transmitem um misto de despreparo
com vontade de agradar que torna tudo muito saboroso. Parecem, às
vezes, robozinhos mexendo os braços e falando frases engraçadas sem que
estejam, de fato, entendendo o que dizem.
O elenco adulto ainda procura encontrar o tom ideal para contracenar
com as crianças. Rosanne Mulholland, como a professora Helena, embarcou
numa linha Branca de Neve de meiguice, que costuma funcionar. Noemi
Gerbelli, como a diretora Olívia, parece estar no “Castelo Rá-Tim-Bum” e
Ilana Kaplan ainda está contida como a professora Matilde.
A cenografia da Escola Mundial, onde se passa a principal parte da
ação, lembra a de um programa de auditório infantil. Muito colorido, com
uma árvore incrivelmente artificial no meio do pátio, o ambiente
combina perfeitamente com o tom geral da novela. Já a trilha sonora,
excelente, chega ate a destoar.
“Carrossel”, enfim, reafirma a vocação do SBT, insuperável no jeito mexicano de fazer televisão no Brasil.
Fonte: UOL
essa novela esta fazendo muito susseço nas festas em que eu vou quando minha mae me chama para ir para a festa eu e meus primos nem vai poque nos nao perde nenhum capitulo.
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